terça-feira, 26 de julho de 2016

"CARIMÃ"- Fonte: http://papjerimum.blogspot.com.br/2015/05/carima-cardapio-indigena-que.html




Barra de Cunhaú por Vera Santan
SEJA BEM VINDO AO VENTO NORDESTE! segunda-feira, 4 de maio de 2015

CARIMÃ - CARDÁPIO INDÍGENA QUE TRANSFORMAMOS EM BOLOS, MINGAUS, PAPAS E PAMONHAS. VEJAM AS RECEITAS!






Na casa dos meus pais a carimã sempre fez parte da nossa culinária, pricipalmente na forma de "papa", ou como ingrediente básico para fazer o tradicional bolo preto ( Pé-de-moleque).Durante muito tempo torci o nariz para essa massa rica em amido, ferro e fibras, por causa do odor que exala. Não ia pra cozinha preparar nada com carimã, porque o cheiro fédido da fermentação me provocava náuseas. Mas depois de tudo pronto, não dispensava nem dispenso, até hoje a papinha, uma fatia de bolo preto ou o bolo feito só com a carimã. Acho tudo uma delícia!




Carimã (do tupi karimã) - é um produto da mandioca obtido a partir da fermentação da raiz. O processo de produção da massa é herança indígena.

"Carimã no Nordeste é a mesma farinha de mandioca puba também dita mandioca mole. Põem a mandioca com casca e tudo em vasilhas com com água ao sol durante 4 a 5 dias até amolecer e a casca afrouxar, largando pelo simples contato. Colocam essa mandioca dentro de um saco, pendurado para escorrer, um a dois dias. Tira-se a massa e espreme-se com a mão fazendo-se bolinhos oblongos que vão secar numa urupema ao sol. Não se tira, pelo exposto, "goma" da carimã como se tira da mandioca ralada. Aproveitam-na toda! Por isso a carimã é mais forte e substancial"

"Da carimã, com maior percentagem de amido, nascem os mingaus, os bolos que a mulher portuguesa criou e recriou, esquecendo a farinha de trigo"

Luiz da Câmara Cascudo: Cardápio Indígena -História da Alimentação do Brasil 




.
A massa de carimã é encontrada nas feiras e supermercados do Nordeste, vendidas por unidade na forma bolinho redondo (uma carimã) ou por quilo, na forma de farinha  acondicionada em sacos plásticos. Os bolos, mingaus, papas ou pamonhas feitas com essa massa são indiscutivelmente deliciosos e saboreados com prazer por quem sabe apreciar essas guloseimas regionais.




RECEITA DO BOLO DE CARIMÃ






O Bolo de Carimã é um dos bolos mais populares no Nordeste, e o mais interessante, é que é um bolo feito de maneira diferente por cada pessoa, na maioria das vezes sem receita definida; "não sei as medidas direito, faço misturando tudo sem medir e no final dá certo" dizem as boleiras mais experientes. Tem quem faça o bolo todo batido no liquidificador; tem quem use fermento; tem  quem bata as claras em neve...
Como encontrei uma variedade enorme de maneiras de fazer esse bolo optei pela receita da minha colaboradora, em culinária, Marilda Nascimento. Eis a receita!


Ingredientes

  • 3 Carimãs (aproximadamente 4 xícaras de carimã)
  • 4 ovos
  • 3 xícaras de açúcar
  • 4 colheres de sopa de manteiga
  • 200ml de leite de coco fresco 
  • 1 colher de sopa de pó royal

           
Modo de preparar


  • Bater os ovos com a manteiga e açúcar até formar um creme
  • Adicionar a carimã peneirada, o leite de coco e o pó royal.
  • colocar na forma de sua preferência ou tabuleiro, untada e povilhada com farinha de trigo
  • Levar ao forno quente préaquecido.




Depois de pronto, o bolo de carimã tem a aparência de bolo solado, gênero de bolo muito apreciado pelos nordestinos, no café da manhã ou lanche da tarde.


RECEITA DO MINGAU DE CARIMÃ




Desde 1806 que se tem relatos escritos sobre o mingau de carimã.Joaquim José Lisboa. alferes do Regimento Regular de Vila Rica, cita-o no seu Descrição Curiosa:

E bolos de carimãs
        Destes bolinhos, Marília,
          Usam muito aqueles povo
                  Fazendo  um mingau com ovos
      Quase todas as manhãs

Câmara Cascudo escreve: " da carimã nasceu pela mão portuguesa, o mingau de carimã, feito com leite de gado, açúcar, canela, ligeiro, gostoso, nutritivo."


Ingredientes  


  • 1/2 xícara (chá) de água
  • 5 cravos
  • 1 pedaço de canela em pau
  • 1 1/2 xícara (chá) de carimã
  • 500ml de leite de coco
  • 2 litros de leite
  • 1 litro de água
  • 2 colheres (chá) de sal
  • 1 xícara (chá) de açúcar
  • 1 colher (sopa) de manteiga
  • Canela em pó  

Modo de Preparar

  • Esquente a água e faça um chá com o cravo e a canela.
  • Reserve.
  • Coloque a carimã em um saco de pano, lave em água corrente e esprema bem, de modo que fique seca.
  • Misture o leite de coco com a carimã.
  • Reserve.
  • Em um panela, coloque o leite e a água para ferver.
  • Adicione a carimã com o leite de coco, misturando até engrossar.
  • Coloque o sal, o açúcar, a manteiga e o chá de cravo e canela.
  • Continue misturando, até que fique bem cozido.
  • Sirva quente, polvilhado com canela em pó. 


RECEITA DA PAPA DE CARIMÃ






Bem mais simples que o mingau, a papa de carimã é excelente complemento alimentar para as crianças. A receita é do meu irmão Alínio, que até hoje não abre mão de uma "papinha de carimã", segundo ele, mais deliciosa e mais nutritiva que as papas com produtos industrializados oferecidas hoje em dia as crianças.


Ingredientes

  • 1 carimã
  • 200ml de leite aproximadamente
  • canela em pó
  • açúcar a gosto
Modo de preparar

  • Lave bem a carimã e seque com um guardanapo de pano.
  • Peneire a carimã e coloque em uma panela de ágata junto com o leite e o açúcar.Misture bem.
  • Leve ao fogo mexendo sempre até engrossar,
  • Sirva povilhado de canela em pó.


RECEITA DE PAMONHA DE CARIMÃ



Confesso que nunca provei da pamonha de carimã! Como adoro pamonhas e carimã, achei que essa receita seria deliciosa  além de muito peculiar. Vai então,a receita que encontrei no site da internet "Comidas e Receitas"

Ingredientes

  • Folhas de Bananeira
  • 1kl de carimã
  • 2/3 de xícara de chá de coco fresco ralado
  • 500 ml de leite de coco
  • 1 xícara de chá de água
  • 1 e 1/2 xícara de cha´de açúcar
  • 2 colheres de chá de sal

Modo de Preparar

  • Passe as folhas de bananeira na chama do fogão para que fiquem flexíveis. 
  • Coloque a carimã em um saco de pano, lave em água corrente e depois esprema bem, retirando a água.
  • Adicione a carimã, o coco, o leite de coco, a água, o açúcar e o sal em um recipiente e misture bem até formar um creme.
  •  Faça um cilindro com um dos pedaços da folha de bananeira, encha com o creme e feche o pacote.
  • Repita a operação com os outros cilindros de folha de bananeira até acabar o creme.
  • Coloque os pacotes em uma panela com água fervendo e deixe cozinhar por aproximadamente 25 minutos.
  • Retire as pamonhas com uma escumadeira. Sirva frio  


RECEITA DE BOLO PRETO



O bolo preto  também conhecido como pé-de-moleque é o mais famoso dos bolos feitos com carimã. Há bem pouco tempo  seu consumo se restringia a época dos festejos juninos. Atualmente é possível encontrá-lo nas padarias e supermercados, durante o ano todo.

Ingredientes

  • 1 kg de carimã  (mandioca fresca ralada)
  • 1 copo  de leite de coco
  • 1 rapadura grande
  • 1 e 1/2 colher de sopa de margarina derretida
  • 1 colher de sopa de cravo-da-índia
  • 1 colher de sopa de erva-doce
  • castanhas de caju





Modo de Preparar

  • Derreta a rapadura no fogo com 1/2 copo de água. 
  • Em uma tigela misturar a mandioca ou carimã, a manteiga, o leite de coco. 
  • Acrescente aos poucos a rapadura derretida e por fim a erva-doce e o cravo-da-índia. 
  • Se a massa ficar mole,coloque mais um pouco da carimã até adquirir a consistência ideal.
  • Despeje em uma forma retangular média e decore com castanha de caju.
  • Leve para assar em forno médio.
  • O bolo estará pronto quando você espetá-lo com uma faca e essa sair limpa. 
  • Pincele o bolo com leite de coco assim que esse sair do forno.
Fontes:


     1 - Texto
  • História da Alimentação no Brasil - Luiz da Câmara Cascudo - Editora Global - São Paulo/2011
  • Pesquisas Google - Sites:
      
   2 - Receitas



Fotos: Imagens Google - Sites:

 

6 comentários:

  1. Passando aqui para conhecer o teu Blog!!! Parabéns pelas postagens!!! Seguindo no Blog!!! Um abraço!!!
    http://www.luceliamuniz.blogspot.com.br/
    Responder
  2. Uma delícia seu blog! Cheguei pesquisando sobre jerimum de leite e resolvi ler tudo.
    Amo bolo de mandioca puba! Mas desconhecia esse preto. A rapadura grande seria equivalente a 500 gramas?
    Responder
  3. Olá. Comprei carimã na feira e me entregaram uma massa úmida, tipo uma pasta, e vejo que nas suas receitas, e onde mais procurei na internet, o carimá seco, parecido com a goma de tapioca. Então, estou achando que comprei errado ou me enganaram :( Enfim, alguém poderia me tirar essa dúvida? E, caso ele realmente possa ser uma "pasta", como usá-lo para fazer bolo pé de moleque? Obrigado.
    Responder

    Respostas

    1. Carimã é úmido mesmo
    2. Pode usar da forma como está na receita. Da certinho.
    3. Pode usar da forma como está na receita. Da certinho.

'A GRAVE CRISE NA VENEZUELA"


26/07/2016 07h00 - Atualizado em 26/07/2016 09h54

Refugiados venezuelanos mudam de carreira para arranjar emprego em RR

Advogada venezuelana virou operadora de caixa em mercado de Boa Vista.
Nº de pedidos de refúgio de venezuelanos cresceu 110% em Roraima.

Emily Costa e Inaê BrandãoDo G1 RR
Carol Formaniak, de 40 anos, se mudou de Ciudad Bolícar, na Venezuela, para Boa Vista; hoje, ela, que é advogada especialista em direitos humanos, trabalha como operadora de caixa (Foto: Inaê Brandão/G1 RR)Carol Formaniak, de 40 anos, se mudou de Ciudad Bolícar, na Venezuela, para Boa Vista; hoje, ela, que é advogada especialista em direitos humanos, trabalha como operadora de caixa (Foto: Inaê Brandão/G1 RR)
O agravamento da crise econômica na Venezuela está fazendo com que dezenas de venezuelanos migrem para Roraima. Sem opções de trabalho, muitos deles se veem obrigados a mudar de carreira para arranjar emprego no Brasil e ajudar os familiares que continuam no país fronteiriço ao estado.
"Aqui a minha vida é muito diferente", define a advogada venezuelana Carol Formaniak, que saiu de Ciudad Bolívar, a quase 1000 KM de Roraima, para viver em Boa Vista. No país natal, ela deixou para trás uma história de luta pelos direitos de crianças e mulheres e agora trabalha como operadora de caixa em um supermercado na zona Norte da capital.
Carol está entre os dezenas de venezuelanos que deixaram o país em busca de uma vida melhor. Conforme dados da Polícia Federal, só nos primeiros sete meses deste ano 493 venezuelanos pediram refúgio no estado. O número é 110% maior que os 234 pedidos recebidos ao longo de todo o ano de 2015.
Especialista em direitos humanos, a venezuelana conta que decidiu vir para o Brasil em outubro de 2015. À época, era diretora executiva de uma instituição voltada aos direitos das mulheres e ganhava o equivalente a cinco salários mínimos.
Guardei todos os meus sonhos porque tenho filho e não queria que nós estivéssemos na Venezuela neste grave momento"
Carol Formaniak, advogada venezuelana
"Eu dava palestras em todo o estado, mas guardei todos os meus sonhos porque tenho filho e não queria que nós estivéssemos na Venezuela neste grave momento. A situação lá é muito crítica. Então, deixei minha casa para trás e vim embora para cá no dia 20 de outubro de 2015", relembra Carol.
Apesar de ser filha de brasileiro e ter dupla nacionalidade, a advogada conta que enfrentou dificuldades para se empregar emRoraima. Inicialmente, ela tentou trabalhar como advogada, mas como não revalidou o diploma no Brasil, se viu obrigada a assumir a função de operadora de caixa.
"Primeiro, eu entregava meu currículo, com todas as especializações, cursos e experiências que tenho, mas depois de dois meses buscando trabalho, comecei a tirar tudo do meu currículo. Fiz isso chorando, mas foi a única maneira que consegui de achar o emprego que estou hoje", conta.
No atual emprego, Carol ganha um salário mínimo que usa para sustentar a si, ao filho e para ajudar o marido que continua vivendo em Ciudad Bolívar. Mesmo com a formação em nível superior, garante que exerce o mesmo trabalho que as colegas de profissão.
"Não me sinto diferente das outras meninas que trabalham comigo. Não ganho a mais pelo que faço, mas estou em busca de outro trabalho. Eu não me rendo, estou lutando", garante.
Formado em engenharia industrial, Reinier Salazar, de 30 anos, trabalha como garçom em restaurantes de Boa Vista (Foto: Emily Costa/ G1 RR)Formado em engenharia industrial, Reinier Salazar, de 30 anos, trabalha como garçom em restaurantes de Boa Vista (Foto: Emily Costa/ G1 RR)
Assim como Carol, o venezuelano Reinier Salazar, de 30 anos, que morava em Puerto Ordaz, a mais de 800 KM de Roraima, também teve de mudar de carreira para se empregar em Boa Vista. Ele é formado em engenharia industrial pela Universidad Nacional Experimental de Guayana (Uneg), mas hoje trabalha como garçom em restaurantes da capital.
"A situação na Venezuela é muito crítica. Lá eu cheguei a trabalhar como engenheiro, mas não há condições de viver no país. Na Venezuela não tem comida e por mais que eu tenha emprego o dinheiro lá não dá para comprar coisas básicas como alimentos e produtos de higiene", afirma Salazar que é casado com uma engenheira venezuelana que também está trabalhando como garçonete em Roraima. 
Refugiado em Roraima, o chef de cozinha Julio Pino, de 26 anos, decidiu buscar oportunidades de trabalho em Boa Vista  (Foto: Emily Costa/ G1 RR)Refugiado, o chef de cozinha Julio Pino, de 26
anos, decidiu buscar oportunidades de trabalho em
Boa Vista (Foto: Emily Costa/ G1 RR)
Oportunidades de trabalho
Terra de mudanças para alguns e de crescimento profissional para outros, Boa Vista também foi escolhida como lar pelo chef de cozinha Julio Alejandro Marcono Pino, de 26 anos, e pela manicure Márcia Mata, de 40 anos. Ambos deixaram a Venezuela para buscar oportunidades de trabalho em Roraima.
"Vim aprender mais sobre a culinária da Amazônia, sobre os pratos daqui. Espero aprender tudo o que puder, e depois continuar viajando pelo Brasil. Na Venezuela eu não teria oportunidades como essa, porque lá não tem a matéria-prima do cozinheiro, que é a comida", afirma.
As longas filas para comprar comida na Venezuela foram um fator determinante para a  manicure Márcia Mata se mudar para Roraima. Ela mora há sete meses na capital e conta que um dos motivos que a levaram pedir refúgio no Brasil foi o dia em que passou mais de 18 horas em uma fila para comprar açúcar, óleo e arroz.
Márcia Mata  (Foto: Emily Costa/ G1 RR)Com o salário de manicure, Márcia Mata, de 40
anos consegue manter os filhos no Brasil e
na Venezuela (Foto: Emily Costa/ G1 RR)
"Sou da República Dominicana, mas morava na Venezuela desde muito pequena. Sempre vim a Boa Vista para buscar atendimento médico para o meu filho caçula, mas há sete meses decidi vir de vez para cá. Consegui emprego e o que ganho aqui dá para sustentar meu filho que veio morar comigo e ajudar minhas duas filhas e meu marido que continuam na Venezuela", explica.
O G1 entrou em contato com a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em Roraima (SRTE/RR) para solicitar dados referentes a emissões de Carteiras de Trabalho a venezuelanos, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.
Refugiados
Dados divulgados pela PF mostram que os pedidos de refúgio de venezuelanos cresceu 110% em Roraima. Em 2015, a polícia recebeu 234 pedidos de refúgio, enquanto que só nos primeiros sete meses deste ano, recebeu 493 pedidos de venezuelanos que querem morar em Roraima.
Além dos pedidos legais, a PF tem percebido o aumento "sensível" de venezuelanos em situação ilegal em Roraima. Reflexo disto é que só nos últimos 12 meses, mais de 300 venezuelanos foram deportados do estado.
Em uma dessas ações, cerca de 60 venezuelanos foram devolvidos ao país vizinho. Parte deles pedia esmolas nas ruas e semáforos da capital roraimense, o que é incompatível com a entrada de estrangeiro do Brasil na condição de turista.
Em julho de 2015, a PF encontrou 16 mulheres venezuelanas trabalhando em casas de prostituição em Boa Vista. À época, a polícia informou que elas tinham vindo por conta própria a Roraima, onde se prostituiam e pagavam 20% do que ganhavam aos donos das casas.